Ejaculação feminina e squirting: o que é e como acontece

Resposta rápida: não são a mesma coisa. A ejaculação feminina é um líquido leitoso, em pouca quantidade, vindo das glândulas de Skene. O squirting é uma expulsão de maior volume, mais aguada, ligada à bexiga. As duas podem acontecer ao mesmo tempo.

Ejaculação feminina e squirting: o que são

A ejaculação feminina é a libertação de um líquido pelas glândulas de Skene durante a excitação ou o orgasmo. Estas glândulas ficam junto à uretra. O líquido é pouco, esbranquiçado e espesso.

O squirting é diferente. É uma expulsão maior, de líquido transparente e aguado, associada à bexiga. Pode acontecer com ou sem orgasmo.

Os dois nomes costumam aparecer trocados na conversa do dia a dia. Na investigação, são tratados como fenómenos distintos, ainda que possam surgir em conjunto. Um estudo de revisão publicado no The Journal of Sexual Medicine em 2022 descreve-os como "parecidos, mas completamente diferentes".

🧠 Curiosidade: as glândulas de Skene são por vezes chamadas "próstata feminina", porque produzem PSA (antigénio prostático específico), a mesma proteína presente no sémen (Journal of Sexual Medicine, 2022).

Qual é a diferença

A forma mais simples de distinguir é olhar para três coisas: a origem, o volume e o aspeto do líquido.

Ejaculação feminina vs squirting

Critério Ejaculação feminina Squirting
Origem Glândulas de Skene (junto à uretra) Bexiga, expulso pela uretra
Volume Pouco, alguns mililitros Maior, pode chegar a vários mililitros ou mais
Aspeto Esbranquiçado e espesso Transparente e aguado
Composição Rico em PSA, semelhante ao plasma seminal Diluído, parecido com urina muito fraca
Quando acontece Sobretudo no orgasmo Com ou sem orgasmo

Na prática, muita gente vive as duas coisas ao mesmo tempo. O líquido sai misturado. Por isso a distinção interessa mais à ciência do que à experiência de quem o sente.

Não é um teste que se passa ou chumba. É uma resposta do corpo, que acontece em algumas pessoas e noutras não.

O papel do ponto G e das glândulas de Skene

O ponto G não é um botão mágico. É uma zona, na parede frontal da vagina, a poucos centímetros da entrada. Por baixo dessa parede passam a uretra e as glândulas de Skene.

Quando estimulas essa área, pressionas indiretamente essas estruturas. É isso que liga o ponto G à ejaculação e ao squirting. A sensação muda com a excitação: a zona fica mais firme e mais fácil de localizar.

Se queres mapear esta área com calma, o nosso guia para encontrar e estimular o ponto G explica o gesto passo a passo. Para um primeiro contacto só com as mãos, vê também as técnicas de estimulação com os dedos.

Dica LoveShop: o gesto clássico para o ponto G é um "vem cá" com os dedos, em direção à parede frontal. Curvos e firmes, sem pressa.

Squirting é urina? O que dizem os estudos

É a pergunta que toda a gente faz. A resposta honesta é: em parte, sim, mas não só.

Vários estudos com ecografia mostram que a bexiga enche durante a excitação e esvazia no squirting. O líquido vem mesmo da bexiga. Ao mesmo tempo, contém vestígios de PSA das glândulas de Skene. Ou seja, não é urina "normal".

A análise química aponta para um líquido bastante diluído. Tem menos ureia, creatinina e ácido úrico do que a urina comum. Para a maioria das pessoas, isto significa que é inofensivo e faz parte da resposta sexual.

Mitos vs Factos sobre o squirting

❌ Mito

Squirting é sempre fingido ou é só nos filmes para adultos.

✅ Facto

É um fenómeno real, documentado por estudos com ecografia e análise do líquido.

❌ Mito

Todas as mulheres conseguem, basta querer.

✅ Facto

Não acontece a todas. As estimativas variam muito, entre cerca de 10% e 50% ao longo da vida.

❌ Mito

Quanto mais líquido, melhor o orgasmo.

✅ Facto

Volume e prazer são coisas separadas. Há orgasmos intensos sem qualquer expulsão.

🧠 Curiosidade: a prevalência do squirting é difícil de medir. Conforme o estudo e a definição usada, os valores vão de 10% a mais de 50% das mulheres, segundo a Sociedade Internacional de Medicina Sexual.

Como criar condições, sem pressão

Não há uma receita garantida. Mas há condições que ajudam o corpo a relaxar e a responder. Pensa nisto como exploração, não como uma meta a cumprir.

  • Excitação primeiro. O ponto G fica mais sensível com a excitação já alta. Dedica tempo às preliminares.
  • Bexiga vazia. Vai à casa de banho antes. Tira da cabeça o receio de "fazer xixi" e o corpo solta-se mais.
  • Estimulação do ponto G. Usa o gesto curvo dos dedos ou um brinquedo de ponta firme, na parede frontal.
  • Lubrificação. Reduz o atrito e prolonga a sessão. Confirma sempre a compatibilidade do lubrificante com o material do brinquedo.
  • Respira e larga o controlo. A sensação de "vou-me molhar" é normal. Em vez de travar, deixa acontecer.
  • Comunicação. Se estás a dois, diz o que sentes. Ajuda a ajustar o ritmo e a pressão.

⚠️ Atenção: nunca forces nem aguentes dor para "conseguir". Se houver ardor ao urinar, urina turva ou desconforto que não passa, podes ter uma infeção urinária e convém procurar aconselhamento médico.

Os produtos que recomendamos

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  • Vibrador Fun Function Bunny Funny Wave com movimento ondulatório Fun Function Bunny Funny Wave 2.0 (56,85€), faz um movimento ondulatório que imita o gesto do "vem cá" contra a parede frontal.
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Perguntas frequentes sobre ejaculação feminina e squirting

  • Squirting e ejaculação feminina são a mesma coisa?

    Não. A ejaculação feminina é pouco líquido, esbranquiçado, vindo das glândulas de Skene. O squirting é maior volume, transparente, ligado à bexiga. Podem acontecer juntos, mas têm origens diferentes.

  • O squirting é urina?

    Em parte vem da bexiga, mas não é urina comum. É um líquido muito diluído, com menos ureia e creatinina, e ainda com vestígios de PSA das glândulas de Skene. Para a maioria das pessoas é inofensivo.

  • Todas as mulheres conseguem fazer squirting?

    Não. As estimativas variam muito, entre cerca de 10% e 50% ao longo da vida. Não conseguir não é sinal de problema nem de menos prazer.

  • O ponto G é mesmo responsável?

    A estimulação do ponto G pressiona a uretra e as glândulas de Skene, que estão por baixo da parede frontal da vagina. Por isso costuma estar ligado a estas respostas.

  • Como saber se me veio?

    A ejaculação feminina deixa pouco líquido e nem sempre se nota. O squirting é mais óbvio pelo volume. O prazer sente-se com ou sem expulsão visível.

  • O que acontece no corpo quando isto acontece?

    Com a excitação, a zona do ponto G incha e a bexiga enche. No clímax, pode haver libertação das glândulas de Skene, expulsão de líquido da bexiga, ou as duas coisas.

  • Posso aprender a fazer sozinha?

    Podes explorar sozinha, sem pressão de resultado. Excitação alta, bexiga vazia, estimulação firme do ponto G e relaxamento são as condições que mais ajudam. Um brinquedo curvo facilita o ângulo.

  • Que brinquedo ajuda a estimular o ponto G?

    Um vibrador com ponta firme e alguma curvatura. Os modelos de ponto G ou rabbit costumam ser indicados. Confirma sempre o material e a compatibilidade com o lubrificante.

Glossário

Glândulas de Skene
Glândulas junto à uretra que produzem o líquido da ejaculação feminina, por vezes chamadas próstata feminina.
Ponto G
Zona sensível na parede frontal da vagina, a poucos centímetros da entrada, por cima da uretra e das glândulas de Skene.
Uretra
Canal por onde sai a urina e, no caso do squirting, o líquido expulso da bexiga.
PSA
Antigénio prostático específico, proteína presente no líquido das glândulas de Skene e também no sémen.
Squirting
Expulsão de maior volume de líquido transparente, com origem na bexiga, durante a estimulação ou o orgasmo.

Em resumo

Ejaculação feminina e squirting não são a mesma coisa, embora andem de mãos dadas. Uma é pouco líquido das glândulas de Skene. O outro é maior volume vindo da bexiga, bastante diluído e inofensivo para a maioria das pessoas.

Os dois ligam-se ao ponto G, que pressiona estas estruturas a partir da parede frontal da vagina. Acontecem a algumas pessoas e a outras não, e isso é normal. O prazer não depende de haver líquido visível.

Se quiseres explorar, fá-lo com calma e sem meta. Excitação, relaxamento e a ferramenta certa fazem mais do que qualquer técnica forçada.

👉 Próximo passo: escolhe um modelo de ponta firme e curva no catálogo de vibradores de ponto G e começa pela exploração com calma.

Retrato editorial de Inês Almeida
Inês Almeida

Editorial de Saúde Íntima e Bem-Estar Sexual

Inês Almeida é o nome editorial usado pela Loveshop para os artigos sobre saúde íntima e bem-estar sexual. Sob este nome, a equipa interna estuda informação publicada por entidades de saúde reconhecidas (OMS, NHS, Mayo Clinic, Cleveland Clinic, Planned Parenthood, SPG) e traduz para linguagem simples e acessível. Os artigos abordam temas que continuam a gerar dúvidas, como secura vaginal, dor durante as relações, saúde menstrual, contraceção ou menopausa, sempre com a ressalva de que informação clara não substitui consulta médica.

Temas que cobre

Saúde íntima feminina Menopausa e perimenopausa Saúde menstrual Contraceção Secura vaginal e lubrificação Dor durante as relações Recuperação pós-parto Literacia em saúde

Fontes que acompanha

OMS / WHO NHS Mayo Clinic Cleveland Clinic Planned Parenthood SPG

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